Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

eu a brincar ao kant

A filosofia da ética na ação humana sugere como lei moral uma postura de
desinteresse, de imparcialidade racional, imune ao instinto das emoções, fruto do
pensamento de intenção e não da causalidade da consequência. Não é subjetivo ao
indivíduo, nem relativo à circunstância. A ação é previamente ponderada de modo a que
o seu exemplo possa ser seguido universalmente.
Onde é que John Q. se aproxima e distancia deste tipo de teorias é uma questão
interessante, aderente à simbólica mensagem do filme. O protagonista está claramente
numa situação de interesse pessoal na questão, a sobrevivência do seu filho. Não parece
pensar racionalmente, sem qualquer plano delineado, existindo um objetivo e um
sentimento paralelos um ao outro. Circunstâncias excecionais não são exemplo nem
objeto de observação em teorizações de uma ética objetiva. Se todos os Homens numa
situação similar à de John agissem do mesmo modo, sendo que as divergências no seu
padrão nervoso poderiam enveredar por desenlaces fatais, o sistema colapsaria e as
reações em cadeia cairiam em fundo anárquico.
Todavia, o ‘interesse’ de John não é egoísta ou animalesco na sua
irracionalidade, tendo em conta que põe a vida do seu filho à frente da sua própria. Algo
que de racional tem pouco, mas que de natural (no sentido instinto selvagem) ainda
menos tem. O espírito do desinteresse por si mesmo em prole do outro é algo
profundamente ligado ao sentido de justiça cristão. Algo que, a meu ver, a
expressão ‘Removing himself from the equation’ conjuga da melhor forma.
A conclusão a disto tirar pode fazer surgir paradoxos. Para isso evitar, é
necessário evidenciar o antagonismo entre lei e legalidade. Só uma lei de caracter moral
é passível de se universalizar. Para universalizar algo é requerido algo em comum entre
nós. Esse algo comum é o livre arbítrio para o acesso à divina dádiva da justiça na
Terra. O objetivo base do processo é ‘o mais objectivo de todos’ – a origem – Deus.
É algo além respeito pela vida, transcende concretamente o parâmetro através do
dever para com uma máxima moral.
A justiça serve, civilmente, para proteger a paz. A paz para proteger a vida. A
justiça na legalidade é evocada por um sistema. A produção visionada na aula
demonstra que esse sistema (pode) mata/r. O paradoxo… quando a legalidade viola a
lei. Quando a sobrevivência da lei insiste nas quebras da legalidade. Do sistema. Das
barreiras que naturalmente nele persistem.
Quando falamos da objetivação de uma lei moral, é fácil conectar o conceito
com a mentalidade pública de um sistema legal. O direito que temos, por moral, ao tal
livre arbítrio, também temos, por hipotética ética, a uma série de outras condições.
Alimentação, habitação, educação e, neste caso, saúde.
E quando o teor público desses supostos direitos é coletivizado por privados.
Quando as democracias ocidentais e modernas, putativas pátrias do humanismo são
aquelas que, no capitalismo burocrático, vendem a saúde, tornam o paciente em cliente.
Quando a vida se torna um negócio. Sem princípios! A natureza humana entra em crise.
A bolsa caiu em 29 por falta de fiscalização estatal na economia. A saúde entra em
colisão com o cidadão, neste filme, por falta de intervenção estatal no exemplo
hospitalar. Não é um ponto no papel, é uma realidade. Mortal.

Sábado, 9 de Fevereiro de 2013

happiness to stay, the mother, the sister and you

encontrei-os, estão aqui. mas escrevi à pressa o que, de perdido, me lembrava. o sorriso de não acreditar, passeando o rio. a sombra parada e o seu sentido par.
matou-me um bocadinho, só ter o não olhar a janela pelo livro.
our me
Vi pedaços dos teus homens.das tuas casas, das tuas manias. Das nossas conversas. Irritou-me, perdi os poemas, os casais, os parágrafos que me faziam acordar. As divagações, a exausta descrição que apenas tinha sentido quando escrita, que não se vivia quando lida.
Digerir o xeque-mate
Tantos hífens
Ia dobrando a tua folha hoje. Suja de vincos, despurificada por pontos .
Chateou-me. Perder as banalidades que roubadas por coincidência o deixam de ser.
Eram pormenores que não iam embora. E em querer tornar a lembrá-los e saber que essas memórias do presente são e estão.
Mas cada diferença é uma história, afastada entre pensares, que de sentir faz falta. E as letras, esquecidas. A tira do caderno também é da tua cor.

Hoje tentei explicar-lhe que achava que os escritores brincavam a Deus. Que, como o Luiz dizia, não eram os heróis que imortalizavam os seus feitos, mas a literatura que imortalizava a sua glória. Ficar na história, além vida. Isso é algo de divino, Criador. O pecado original lá foi querermos ser Deus, tratá-lo por tu, baixar o D para d. Bem, isso deve fazer dos escritores (e afinal sempre dá jeito excluir-me da lote) uns seres bem direitos para o inferno. Se isso tudo existir, claro. Quando escrevi a ideia, para a perceber, escrevi 'nós'. Quando falei sobre ela, ficou no meio termo. Agora, a escrever sobre tê-la escrito, como há pouco escrevia sobre ter perdido o que tinha escrito e o que isso me fez escrever, tanto me faz. Ou sentir? por pensar - não, não foi sem querer
Não tem a ver com a minha relação com Ele. Ele fez a vida do nada. E nós tudo fazemos da vida. Imortalizar algo fará também imortal o autor... talvez. Talvez é uma palavra que combina demasiado bem com reticências. Depende da sorte ou do Destino, não é? Das interjeições escolhidas, de certeza.
Não acabei nem consegui. Não faz mal. Não era suposto. Entrou mas não saiu. Ou vice-versa. Tenho que ir buscar o papel. Reli agora esta parte. Tu escreves e gostava que não fosses para o Inferno.
A História é feita de histórias. E as histórias fazem História. Algumas

Cumprimentos, encontrei-os. Encontrei os rascunhos. Fiquei sem rede, que se lixe.




recuperei-os* haja algo que se recupere

Sábado, 1 de Dezembro de 2012

Apertar 'sinto' segurança (mesmo sem turbulência)

            Pareciam passar anos na espera do check-in. E nem muita fila havia. Sem bagagem, além de mim e memórias. Já nem passo muito na alfândega, enquanto ela não me reclamar. Sem medo, faz menos mal. Aqueles passaportes de paixão turística, não me carimbaram.
            Não era um lowcost sazonal ou a primeira classe de companhia. O amor não é bilhete que se compre. A comida é má na mesma, e a bebida, a do costume, vai fingindo ajudar. A música também, com a playlist a repetir-se vezes sem conta depois da bateria do Ipod acabar.
            No fim do horizonte, longe das nuvens, leio nas pedras que me fazes falta. Sinto-o. Sinto-as ao não te sentir.
            Porque o porto é um lugar para dois e chego lá sem mapa ou luz.
           
            O meu pai fumou, muito. O que me devia ter feito pensar melhor. Eu ia, logo quando nasci, mas mesmo assim.
            Por isso, quando fazia grandes viagens de avião, onde o tabaco era proibido, dormia o tempo todo para, inconsciente, não pensar no vício.
            Os meus dias têm sido uma viagem de avião.
            Onde me tortura não chegar a adormecer. Onde fico doente porque algo me faz falta. Uma ausência em febre.
            E quando aterro em ti, quando finalmente chego a casa, estou tão cansado de não conseguir adormecer que só me apetece deitar ao teu lado. Só quero ir descansar contigo, porque preciso da nossa paz, a esconder as lágrimas da inevitável despedida. Triste de partir, como feliz por chegar.
            E, depois, vais ou ficas, e eu tenho que fugir. Do teu adeus
            Para aquele avião de grades, onde és o único destino.
            Descolar sem levantar voo e aterrar no céu. Teu
            O coração, vazio sem ti, cheio de ecos de nada. Distante oceano que, órfão de asas, sobrevoo.
            Sem janelas. Sem sorrisos
            Sem sonhos    
            Apenas um sol
            Chamado saudade

Segunda-feira, 12 de Novembro de 2012

Nós

          ' A chuva parou contigo
            Ou deixei eu de dar por ela
            O frio já não me dá
            Lembra só coração, bela
            De te ir aquecer
            O sol, a pôr-se e a nascer
            Porque já eras tu minha luz
            Antes d’Ele aparecer
            Nós que, por nada, tudo temos
            Porque amar-te não é meu
            Veio contigo e talvez teu seja
            Vive em nós, um sorriso que beija
            Não é meu porque não o ganhei
            Apareceu, além conquista
            E não é meu, porque não o pode deixar de ser.
            Não morre, não sai, não o posso perder
            Por não o querer e por já ser parte de mim.
            Quando vejo, quando respiro, sonho, sinto e durmo
            Quando vivendo te amo
            E só te amando vivo.
            Somos um fim para um fim que espero não acabe
            E tu,
            Que me fazes viver em ti
            Que também aqui moras
            Fizeste de mim mais que eu. Fizeste-me viver
            Para ti
            Por ti e
            Contigo
            Da solidão para nós e do nós para
            A companhia de um, único
            Tu e eu '

Não é meu